quinta-feira, 23 de abril de 2009

Zé Limeira.

Fiquei alguns dias sem postar nesse blog, então para voltar em grande estilo, faço uma homenagem, a um gênio, pouco conhecido, porém gênio, Zé Limeira, conhecido também como: Poeta do Absurdo.

um pouco de sua biografia:

"Escrotidão" poética, pornografia versada, distorções históricas poético-delirantes e prenhes de pseudo-nonsense, métrica ilibada, voz trovejante de bardo nordestino, anéis por todos os dedos, poesia pra todos os lados. Seus trajes aberrantes, sua viola, seu matulão pendurado. Esse aí não é ninguém não, é Zé Limeira, o mais mitológico dentre todos os repentistas surgidos no Brasil. Tem gente que até hoje acha que ele nunca existiu. “Vai ver foi um personagem criado pela cabeça fantasiosa de outros repentistas”, diriam os incautos.

O compêndio poético de sua obra só chegou ao conhecimento das novas gerações graças ao abnegado trabalho de pesquisa realizado pelo advogado e escritor Orlando Tejo, que resultou no livro "Zé Limeira, poeta do absurdo". Os dois se conheceram em 1950 e o encontro entre narrador e narrado é assim descrito pelo primeiro: “Foi numa nublada tarde de sábado que ouvi pela primeira vez José Limeira. Cantava em sombrio casarão da Rua Manuel Pereira de Araújo, movimentado centro do baixo meretrício, em Campina Grande. Chamou-me a atenção a dimensão do óculo (sic) exageradamente escuro que, havia 20 anos, inspirara este espirituoso repente de Severino Pinto:

Nestes dias vou fazer/ Como o nosso Zé Limeira:/ Comprar uns óculos escuros
Desses de tolda de feira/ Botar o bicho na cara,/ Sair cantando besteira"

Alcunhado de poeta do absurdo pelas suas construções poéticas verborrágicas e pelos neologismos mais esdrúxulos como pilogamia, filanlumia e filosomia, este paraibano de Teixeira cultivou um surrealismo assertanejado e altamente psicodélico, como confirmam estes versos:

Casemo no ano de 15

Na seca de 23

A mulher era donzela

Viúva de sete mês

Mais não me alembro que tenha

Um dia ficado prenha,/

Estado de gravidez.


Fonte: http://www.facom.ufba.br/


outros exemplos da obra de Zé Limeira:

Foi quando Tomé de Souza
Desembarcou na Bahia
Logo no primeiro dia
Passou o pau na esposa
Ligeiro que nem raposa
Comeu na frente e atrás

Depois, na beira do cais
Por onde os navio trafega
Comeu o Padre Nóbrega
Que os anos não trazem mais.


Então como é uma homenagem, eu também vou fazer meu singelo, não tão genial, até certo ponto absurdo, verso para esse poeta, não chega a ser uma Pavoa devoradora, mas tem (eu acho) sua beleza.


Num sô um grande poeta, gênio ou lírico demais
também num falu de absurdo, que absurdo num existe mais
já que Zé acha que lourival via Patativa e Camelo
proseando lá num terreiro pelas beras do Tejo;
Zé debaixo da Luz, num se esquece do Maxado
e ainda lembra do Bernardo
pra num esquecer de quem ele é.

Zé acha o que quer
pode achar que hômi e muié
tem direito diferente
acha até que seguir em frente
faz as coisa piorar.

Zé acha o que quer
ele acha que a beleza
num se encontra na tristeza
mas também que a tristeza
nunca vai se encontrar.

Zé acha o que quer
mesmo sem são longuinho
Zé acha que passarinho
e passarinho acha que Zé
e os dois se acham juntos
onde nunca o absurdo
acha mais do que Zé...

6 comentários:

  1. Conheço esse repentista pela música do Cordel do Fogo Encantando, legal saber mais detalhes sobre ele. Sobre o seu poema, eu achei que faltou nele a estrutura de um repente, existe umas variações baseadas na rima que indicam essas estruturas, porém no restante está, massa.

    ResponderExcluir
  2. Opa...Primeiro obrigado pelo comentário Estêvão, e é verdade falta mesmo uma estrutura, porém a intensão é de ser algo, um tanto..."absurdo" para poder fazer jus ao poeta.

    ResponderExcluir
  3. Ah, perfeito então cara.. E sobre o nome, trata-se de uma homenagem e ao mesmo tempo não. Eu possuo mesmo o DOS ANJOS no nome e, claro, me aproveitei dele para ousar nessa comparação.

    ResponderExcluir
  4. Olá , passei para acompanhar as novidades e desejar um ótimo final de semana e deixar um grande beijo.

    ResponderExcluir
  5. Outro para você, e obrigado.

    ResponderExcluir
  6. **Zé da Luz,querendo meter o francês num verso, Zé Limeira saiu-se com este:
    PROZÓDIOS LABISCOTÉQUIOS,
    PURITAS DU A-TIFÓN...
    URITAS ADICALÁTAS,
    LELÊU, LALÁU E DOM,
    BRECHOTE MANDACAFÚ,
    OLEDÁRIO VAIOMÓN !!!
    Zé da Luz pediu-lhe a tradução:
    e Zé Limeira atacou:
    ***
    SÃO PRESÉPIOS ADVERTIDOS,
    NO TELÉI DA JUVENIA...
    NO TAIFÚ DO ZODIÁCO,
    NA BAIXA DA SILENCÍA,
    NO GENUÍNO DA BÍBLIA,
    E NO SOM DA GRAMOFONIA !!!

    (colaboração de Nailton Limeira).

    ResponderExcluir

É o verbo...