sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Essa tal liberdade...


O conceito da falta de liberdade, no que se refere ao domínio/controle de uma pessoa sobre outra, é algo sempre, e sem muitas exceções, criticável, não existe “mas”. Porém, sem mergulhar em
questões mais filosóficas, principalmente referentes à Diógenes, Platão ou mesmo existencialistas, etc (talvez algo mais Socrático, mas isso não vem ao caso), quando se fala em “liberdade” sendo relativo ao controle da pessoa sobre ela mesma, alguns pontos podem ser debatidos.
 

Óbvio, é sempre bom deixar claro que cada um, desde que não ameace ou interfira, de forma não aceita, na vida do outro, faz o que quiser da sua vida. Longe de mim “cagar regras” de como alguém deve ou não agir. Porém, a partir do momento em que vivemos em sociedade; atitudes, ações, opiniões e gostos estarão sempre passíveis de críticas. 


Enfim, dito isso, o ponto central do texto parte da forma, ao meu ver equivocada, que a “liberdade” vem sendo (supostamente) vivida por alguns, em suma, as pessoas passaram a entender “liberdade” como “a obrigação de fazer tudo o que quiser” e não como ela deve ser vista, ou seja, com a opção de dizer não. Resumindo em uma frase: “As pessoas fazem algo porque podem fazer e não necessariamente porque querem”, e não, não há liberdade quando você se obriga a algo. Paradoxalmente, inclusive, ser livre.
                                                                       
No mundo virtual atualmente é bem comum textos e mais textos sobre “curta a vida e viaje pelo mundo”, “não seja preso a (qualquer coisa que“prenda”) e curta você”, etc. Ok. É evidente que viajar é legal, eu mesmo gosto bastante. No entanto, o faço porque: posso, e, principalmente, porque quero. E essa lógica de "liberdade" muitas vezes ignora isso, tanto a responsabilidade das pessoas, já que nem todo mundo é “filho de papai” e pode “dar uma volta por aí” indo para os EUA (ver imagem abaixo). Elas, em sua maioria, precisam trabalhar para ter o mínimo de conforto (sobre isso indico esse texto). E além disso, ninguém é obrigado a viajar apenas porque “viajar é bom”, às vezes, a pessoa pode simplesmente ficar em casa comendo brigadeiro, dormindo, vendo TV, etc... E, ao escolher isso, não estará privando sua “liberdade”, pelo contrário, o fato de escolher realça sua capacidade de ser livre.


     
       veja o texto completo 
aqui.


Fazer algo que não gosta, por exemplo, um emprego, não é tolher sua liberdade, é, na maioria das vezes, construir possibilidades de “liberdade” (escolha) em resumo, é ter dinheiro para poder escolher entre viajar e ficar em casa vendo série, entre sair com amigos ou sair só, ou mesmo entre comer feijão ou lasanha. Volto a dizer, é irreal o pensamento de “saia por aí se conhecendo e conhecendo o mundo, seja livre”, isso é resumido a uma parcela muito pequena da população, principalmente no Brasil.

Outro ponto bem comum na questão da liberdade é relativa às relações. A “liberdade sexual”, apesar de alguns pontos negativos, que surgem de diversos motivos, em geral foi positiva, principalmente para mulheres, pois rompeu algumas barreiras hipócritas e, porque não, machistas. Evidentemente, é importante cada vez mais as pessoas serem plenas em relação a isso. Não existe o “modo certo” de se relacionar, monogamia, bigamia, relacionamentos abertos, etc. Enfim, desde que aceito e conversado entre as partes, é tudo válido. Porém, assim como cada vez mais diminuímos a barreira do “o certo é uma monogamia entre homem e mulher”, alguns, contrariamente ao que deveria ser proposto, entendem isso como “a monogamia não é o certo, não é livre, prende". E veja bem como, obviamente, isso é reduzir a liberdade. Ser livre e ficar com quem quiser quando quiser (desde que com consentimento), não significa que ao não fazer isso e optar por ficar apenas com um ou uma, você não exerça sua liberdade, pelo contrário, é exatamente o direito de dizer “não” e “sim” para algo que lhe faz uma pessoa livre, até porque, vejam só, “não existe a forma certa de se relacionar”, qualquer uma pode ser boa, desde que as partes estejam bem.

O mesmo vale para relações em família. Principalmente no início da adolescência (e é compreensível), preterimos a presença da família por ir à balada ou similares, algo totalmente normal, para muitos, normalmente os mais cerceados pelos pais, é um dos primeiros gostos de “liberdade”. Todavia, muitas vezes na ânsia de viver toda essa “liberdade”, preferimos sair porque “é muito 'careta' ficar uma sexta à noite em casa” mesmo não necessariamente querendo, nos obrigamos a fazer algo e, por algumas razões sociais, algumas vezes perdemos oportunidades de, em casa, conhecermos mais nossa família, ler algo interessante, ouvir algo, enfim, conhecermos a nós mesmos.

Muitos podem argumentar: "Ahh mas se não vivermos algo como vamos saber se é bom ou não e assim, escolher?". É uma lógica muitas vezes vaga, qualquer escolha nossa, em geral, já parte de conceitos criados a partir de outras experiências. Por exemplo, se eu não gosto de altura e muito menos de velocidade é muito provável que eu não precise fazer Bungee Jumping para saber que não gostarei. Assim como se eu não gosto de ambientes lotados e fechados, se isso me faz mal, não se torna necessário ir ao centro do Galo da Madrugada para saber que não me sentirei lá. 

Enfim, como falei anteriormente, longe de mim “cagar regras” de comportamento, pelo contrário, o objetivo é mostrar que em dado momento um ideário mais pós-moderno trouxe o que talvez seja uma inversão perigosa, que é a de sempre “se obrigar” a fazer algo porque pode. Ou seja, o paradoxo da liberdade. E a “Vontade de Potência” não deve ser vista a partir da “potência” (o poder fazer) e sim, da vontade, o querer fazer.

Ps. Se possível vejam boa parte dos hiperlinks, eles irão ajudar a entender o texto.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Espaço e tempo


Na física, espaço-tempo é o sistema de coordenadas utilizado como base para o estudo da relatividade restrita e relatividade geral. No entanto, o assunto em questão não é física e os termos “espaço” e “tempo” não serão usados no mesmo contexto, porém, a relatividade, de alguma forma, estará presente.

É comum muitas vezes usarmos e vivermos a frase “antiguidade é posto”. De alguma forma ela é verdadeira, o tempo sempre será um grande vetor de importância. Porém, não podemos deixar de lado a influência da relatividade (não aquela teorizada por Einstein) do espaço em paralelo ao tempo. Quando falo de espaço, cito o quanto de ocupação, relevância e entrega uma pessoa compõem em nossa vida, já o tempo diz respeito aos anos, meses, dias, etc, que você conhece e convive com alguém. A influência de um sobre outro dá ao tempo, mesmo imóvel, a sua relatividade.

E como se dá essa relatividade?... A partir do momento em que pessoas mesmo com menos tempo de convivência ocupam um espaço maior, deixam sempre o sentimento de novidade, a vontade de um pouco mais, por menor que sejam os dias, meses de conhecimento, eles nunca serão iguais. Em contrapartida existem pessoas com um tempo maior (você conhece por muitos anos) que no entanto, ocupam um espaço menor. Por exemplo, algumas você conhece por 10...15 anos, tem boa relação, sempre que encontra demonstra apreço, porém, não há “mergulho”, você não vive a pessoa em sua plenitude ou próximo a ela. Todavia, com outras, ocorre exatamente o contrário, cada dia você fica com mais vontade de “mergulhar” e descobrir o que há de novo nela.  

É evidente que a probabilidade de uma pessoa que ocupa um espaço maior por mais tempo seja mais importante. Porém, repetindo, esse conceito é relativo. Pode existir alguém que viveu 50 anos com você e ser, ao fim da sua vida, a pessoa mais relevante, assim como pode ser uma que viveu os 2, 3 últimos ou melhores anos dela e lhe marcou. 1 ano bom será sempre melhor que 10 monótonos. 

É óbvio que esse espaço não é fixo, às vezes a vontade de mergulhar simplesmente passa. Muda. Ou você encontra nesses mergulhos algo que não queria. As relações saem do espaço e passam a viver presas ao tempo. Viram recordações. Ou mesmo somem em buracos negros.

Enfim, não podemos viver presos a imutabilidade do tempo. Ele sempre estará lá, já o espaço é criado por nós e é nele onde colocamos as funções pro tempo, daí resolver a equação do que faremos com o tempo é algo mais difícil que:

ϒ =         1        

       [ 1 – (v/c)²]1/2

* (Cálculo matemático do fator de Lorentz> http://brasilescola.uol.com.br/fisica/transformacao-lorentz.htm)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Ensinem os jogadores da base a fracassar. Mas que eles tenham oportunidade disso


Acho que seria repetitivo em falar sobre o desejo de boa parte dos jovens brasileiros em se tornar jogador de futebol. O foco do texto não é esse e sim falar dos que conseguem ou chegam bem próximo, porém, fracassam. Para isso, usarei como base um exemplo que ao meu ver pode ser estendido a diversos outros casos bem parecidos.


Muito se fala sobre a utilização das categorias de base no futebol brasileiro. Porém, no geral, de uma ou outra maneira o foco sempre estará voltado para o resultado final: o jogador profissional do clube. E não para o que fica no meio: a pessoa e sua carreira. Ou seja, a ênfase será maior, nas melhores formas ou maneiras de um time aproveitar jovens da base no seu elenco principal e consequentemente lucrar com eles, com isso acabam esquecendo dos milhares e milhares de jogadores que basicamente iram fracassar. Em resumo, ao meu ver, boa parte dos clubes não se preocupam em ensinar aos jovens que, em sua maioria, eles não irão conseguir o que planejaram pra si, ser um jogador famoso. No entanto, isso não os tornará pessoas piores e muito menos significa que não podem ter uma carreira, mesmo no futebol, digna.


Dentro disso tudo há algo fundamental na construção desses jovens e que muitas vezes segue, de forma equivocada ao meu ver, a mesma metodologia. A psicologia nas categorias de base. No final do texto indicarei alguns artigos que reforçam esse pensamento. Porém, começarei com foco a um (
clique aqui pra ver completo):



“Não são poucos os casos de jogadores que se destacam nas categorias de base,mas que quando incorporados aos plantéis profissionais não conseguem manter  o mesmo nível de desempenho ou mesmo acabam abandonando a modalidade.
Dificuldades de adaptação? Aumento do nível de exigência? Mudança de foco? Provavelmente, todos estes fatores e mais alguns. Não é possível afirmar que a cobrança e expectativa por resultados seja diferente nas categorias de base e no profissional. Mas é relativamente fácil de observar que a exposição pública do jogador aumenta. E muito. Até existe cobertura de mídia nas categorias de base, mas nada comparado ao que ocorre nas equipes profissionais”. 

O artigo, que é bom, fala sobre questões importantes de o porquê determinados jogadores não conseguem chegar ao sucesso. Porém, mais uma vez, ele trata do produto final baseado no sucesso “o jogador que era destaque” e não necessariamente no básico, de do que é composta a maioria da base, “o jogador que é mais ou menos”. Os elencos das categorias inferiores são compostos por, digamos, 50 jogadores, entre sub-17 e sub-20, desses, no máximo e na média, sendo bem positivo, 10 conseguiram sucesso no futebol. E quando falo de sucesso é jogar uma Série B ou A. Os demais irão rodar por times pequenos, série B/C ou até D de estaduais e provavelmente não irão se sustentar apenas do futebol. E a grande maioria nem irá seguir na carreira.


Para isso é importante destacar esse levantamento da CBF que diz que: Mais de 80% dos jogadores no Brasil ganham menos de R$ 1 mil de salário (clique nas imagens abaixo para ir para os textos).



Em resumo, essa introdução serve para destacar que, na base, uma minoria “tem talento” ou se destaca a ponto de se tornar um profissional que se sustente através do futebol. A maioria vai, basicamente e sendo bem direto: fracassar. E aí voltamos ao ponto central do texto: Se as categorias de base dos clubes realmente se preocupam com o ser humano que irá fracassar em seu sonho de ser um grande jogador de futebol "famoso". 

A história de um jogador – Como disse, usarei um exemplo como recorte que, ao meu ver, engloba diversos e diversos jogadores. E ele é o do jovem que aos 14, 15 anos deixa sua cidade (no interior principalmente) para tentar a “sorte” de ser jogador profissional de um grande time (um exemplo aqui), que, na maioria das vezes são os que oferecem estrutura de base a jogadores. Ou seja, nesse momento ele passa a optar e entregar boa parte do seu futuro a um objetivo: ser jogador profissional. Muitos clubes (exemplo), como deve ser, oferecem toda a assistência, estudantil, médica, etc ao atleta. No entanto, por mais importante que seja, não há como negar que o foco do rapaz, pelo menos até os 18...19 anos, será ser jogador de futebol, sua rotina será de treinos, competições, alojamento, etc. Ele será apenas preparado para aquilo. E vale lembrar que diferente de outras profissões o futebol se resume a ele mesmo. Exemplo, se um jovem sai de casa para estudar engenharia em outra cidade, mesmo que não se torne um engenheiro de sucesso, ele, na pior das hipóteses terá um diploma, uma capacitação que o destacará em meio a pessoas que não o tenham. É um diferencial. Porém “se formar” jogador de futebol servirá apenas para ser jogador de futebol. No “mundo real” isso não é diferencial de nada, no máximo, se não tiver futuro profissionalmente, ele ganhará uns 50 reais em algum torneio amador que participe.
Mas voltando à história. Como digo na introdução, a maioria da base é composta por jogadores medianos, e esse jovem pode ser um desses. Chega ao clube, treina, fica no banco na maioria dos jogos do sub-17... estoura a idade, continua no banco no time sub-20...e encerra a carreira no juvenil. E aí? O que realmente foi feito do (ou para) o rapaz? O clube realmente se preocupou na “formação da pessoa dentro do seu objetivo” ou apenas na “formação de um atleta de elite que sirva ao próprio clube”. E e isso não se resume apenas na formação “moral” (como pessoa) de um jogador. E sim, na sensibilidade de dar a ele a oportunidade de uma formação profissional dentro do futebol, todavia, deixando claro que a chance dele ser “medíocre” (mediano) é grande.
Boa parte dos clubes, e aí muitas vezes por questões de empresários (outro fator que merece um texto a parte) ou interesses internos, basicamente prendem até onde podem os jogadores para depois simplesmente dispensá-los. E usando o exemplo citado anteriormente de forma prática, imagine esse jovem, sai do interior, etc... etc... ele basicamente construiu toda sua carreira juvenil em ser reserva ou ser titular com pouco destaque, com 20 anos, sem espaço na base e muito menos no time profissional ele é liberado/dispensado para “buscar novos times". Porém, como conseguir novos times, mesmo sendo pequeno, se você não tem o mínimo de portfólio (até conseguir empresário fica difícil), pouco se acompanha a base e os empresários que acompanham vão sempre buscar “os destaques” (que, inclusive, muitas vezes flopam o texto acima – esse – é ótimo sobre isso), porém poucos se importam com o “carregador de piano” ou o jogador “comum” que poderia muito bem, até porque a maioria dos jogadores em geral são “comuns” (é uma questão de oportunidade) conseguir um certo destaque em times menores e ter uma carreira minimamente digna. Ao fim o clube lhe nega isso apenas o tratando como um “objeto de uso futuro” que na maioria das vezes não irá usar. É a mercantilização de um sonho, de um objetivo.

Em resumo, os clubes formadores não se preocupam em formar jogadores medianos para outros clubes menores. A preocupação e foco, em geral, é formar jogadores para uso interno e descartar no momento que tenha interesse. Porém, como falado anteriormente, 80% dos jogadores estão encaixados no primeiro exemplo, e deles, boa parte se perde. Seria mais ou menos como se você tivesse uma escola em que a preocupação fosse de formar 10 pessoas, sei lá... em medicina. E as demais, bem, que se virem. Não lhe é dado mercado. Imagine se você é estudante de arquitetura e consegue um estágio onde você trabalha apenas “como estagiário” não tem qualquer aproximação com o trabalho profissional, dia-dia, etc. Que tipo de profissional você será? Que estrutura lhe darão para ir ao mercado? O mesmo vale para esses jogadores, e de forma até mais cruel porque, como falei anteriormente, o futebol se resume a ele mesmo. 


Muitas vezes as categorias de base se restringem apenas a fazer uma grande peneira onde os melhores passam e os medianos que se virem depois, sendo que você, como clube, ocupou 4...5 anos fundamentais da vida do jogador/pessoa. E repito, dar estrutura de alimentação, saúde e mesmo escola é o mínimo que o clube deve fazer. A questão aqui é dar a “estrutura profissional” para ele de seguir uma carreira, pelo menos mediana dentro do que foi preparado por anos.

E o que deveria ser feito? Ao meu ver, ter como objetivo central formar jogadores por formar, para os outros clubes utilizarem, sem o interesse real em “fazer dinheiro” com ele. Até porque essa será a realidade da maioria. É claro que existem as estrelas na base e esse terão um “tratamento especial” (que muitas vezes mais atrapalha do que ajuda). E é óbvio que os clubes também podem lucrar com a base. Porém, sem esquecer que estão trabalhando com pessoas e a maioria ali não irá “muito longe” e que deve-se saber trabalhar isso, deixar claro que o fracasso será natural a grande maioria.

Se o jogador com 18, 19 anos ainda não subiu e joga ativamente no profissional é porque provavelmente ele não é um "diferenciado", então, empresta pra time menor. Dê a oportunidade a ele de construir uma carreira. Por exemplo, ele pode sair de um São Paulo, onde não teria espaço, para jogar a série A3 no Taboão da Serra. Porém, estará jogando, se, como acontece com a maioria, não “der certo” no time grande ele terá minimamente tem a oportunidade de construir uma carreira profissional em times menores, em “arriscar”. Vai que ele faz uma boa temporada num time da A3 e é contratado para jogar uma série B, C... já subirá de patamar. Até porque, repito, a maioria dos jogares são medianos. É bem possível que um jogador que é reserva do Boa Esporte (que disputa a série B) e ganhe, sei lá, 6 mil reais, seja do mesmo nível de um jogador que joga a 4° divisão de São Paulo pelo XV de Jáu e recebe 1 mil. É tudo apenas uma questão de oportunidades, formar portfólio, ter seu momento, motivação, etc. E a partir do ponto em que um clube com estrutura, que já tem um nome no mercado “prende” seu jogador na base (como estagiário) ele tira dele essa oportunidade.

O que acontece é que muitas vezes um jogador que seria mediano, no entanto, teve uma estrutura de base, perca espaço para outro mediano sem estrutura e que subiu “de qualquer jeito” em um time menor. E isso cria um círculo vicioso que acaba sendo ruim pra ambos. É ruim porque o jogador de base formado “sem estrutura” normalmente já tinha outros objetivos, outra construção e mentalidade, talvez até mais conformista, o que leva a uma diminuição de seu potencial de formação. Resumindo ele não foi "moldado" para ser jogador de futebol, ele tinha talento, se fosse, beleza, se não, tudo bem também (existem, óbvio, exceções). Já o atleta (de time grande) é formado “para ser atleta” é estruturado para aquilo, porém, muitas vezes, acaba ficando “preso” ao circulo que falei anteriormente, ou seja, a categoria de base. Isso frustra. Causa decepção. Diminui sua potencialidade. Nesse caso ele foi "moldado" para dar certo, mas, como na maioria das vezes, e se não der?

Até porque, usando o exemplo anterior, imagine você saindo cedo de casa com o sonho de ser profissional, sendo acompanhando a distância pelos seus pais/família que provavelmente esperam que seu filho jogue num time grande, e aí passa um ano e você na base, passa outro e você continua lá, faz um treino esporádico com o time profissional mas, não sai da base, enquanto isso talvez algum companheiro seu já tenha subido (o que causa frustração) e no final de tudo você “volta pra casa” (pra família) dizendo que não conseguiu jogar no profissional e vai procurar outro time (menor). O abalo que isso causa na sua família e consequentemente em você é alto, principalmente se não tiver uma estrutura que lhe indique, desde cedo que você vai/pode fracassar (A maioria fracassa, a probabilidade disso acontecer é maior). Isso pode fazer com que alguém que poderia ser um jogador mediano de clubes medianos, se torne uma pessoa frustrada (e aí abala a formação humana mesmo).

Finalizando e como “considerações finais” é que os clubes formadores devem saber que seu principal papel é: Formar jogadores para outros times. Que eles não irão ter lucro com a grande maioria, mas, a partir do momento em que trabalham com jovens devem ter na mente que possuem essa responsabilidade de dar a oportunidade de formação profissional (média) a todos. A responsabilidade de, repito, fazer a base para que outros (times), de menor poder aquisitivo, utilizem.  


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Alguns artigos sobre psicologia na base:

Futebol: O papel importante das categorias de base


Tabu no futebol, psicologia ajuda a explicar sucesso de Ronaldo e fracasso de Pato

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Roteiro...


Eu escrevi um roteiro
Um longo roteiro...
Li uma vez e queimei
Para passar a segui-lo

Continuarei seguindo algo que planejei
Porém, poderei incluir novas lembranças
Poderei deixá-lo solto, sem páginas para prendê-lo

Um dia talvez eu esqueça que tenha escrito um roteiro
Sem problemas...
Ele não foi feito quando o escrevi, e sim quando o queimei

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Simpatia e empatia


Aceito a tese de que diversas personas compõem a personalidade de uma pessoa. No entanto, para este texto, como sugere o título, focarei em duas das principais e que estão dentro da maioria de nós. A simpatia e a empatia. 

Dentro de todo um arcabouço de vivências dois tipos de personalidades se destacam. Existem as pessoas que falam pra muitos, que se expõem mais, estão em mais lugares e, com as redes sociais, dão opiniões sobre mais coisas. Elas parecem mais vivas, presentes, carismáticas. Essas são as pessoas simpáticas. Em contrapartida existem as que seguem o caminho, de certa forma, contrário, se expõem menos, se comunicam menos, parecem estar menos presentes e possuir menos carisma, por mais paradoxo que seja, essas são as empáticas.

Uso como exemplo os professores. Alguns conseguem falar para uma turma inteira (de 50 alunos), a mesma mensagem, os mesmos ensinamentos, no entanto, sem profundidade. Vão lá, dão sua aula da melhor forma possível e pronto. Esses são os simpáticos. E têm os que falam para menos, sua mensagem talvez não seja muito bem entendida por todos, porém, ele buscará sempre imergir da forma mais precisa nos alunos que têm mais potencial ou dificuldade, buscará observar as peculiaridades, e seus ensinamentos, para esses, irão fazer total diferença. São os empáticos.

E é assim. Uma pessoa simpática nunca conseguirá imergir de fato, nunca conseguirá ser 100% presente, porque, como disse anteriormente, seu círculo de relações é muito grande e ela sempre, por seu espírito protagonista, irá buscar empilhar mais e mais pessoas, e é impossível, assim, entender cada uma em sua individualidade. Não há o individual em multidões, há um eco que, talvez, lhe faça bem.

Já a empatia requer um trabalho a mais, uma disposição e talvez frustrações. Você mergulha em relações (em geral), absorve problemas, busca soluções, tenta enxergar, de fora, o que o outro não consegue ver. Isso lhe torna um/uma especialista nas pessoas. No entanto, também lhe torna mais sobrecarregado e com menos possibilidades. Lhe expõem a erros e, principalmente, lhe coloca em um estágio de coadjuvância.

Feita a separação é importante pontuar a proximidade. Evidentemente perfis se relacionam, empáticos não vivem com empáticos e simpáticos sempre com simpáticos. Não, pelo contrário, há uma troca. Para os simpáticos muitas vezes é necessária a existência de uma pessoa empática, mesmo que você busque uma vida com menos relações de imersão, sempre mais superficiais, sempre se movimentando e trocando peças de forma rápida, você precisará de algum tipo de porto seguro (que muitas vezes foge as relações familiares), precisará de alguém que minimamente saiba mais sobre você até porque, pelo caminho que você buscou, nem você sabe tão bem sobre si mesmo/a. Você pisa em vários caminhos porque lhe faz bem viver uma certa plenitude, no entanto, muitas vezes, não percebe onde pisa e pra isso conta o auxílio da empatia para lhe dizer “por aí não”.

Já o empático precisa do simpático para suas emersões, quando se imerge é necessário sair um pouco à margem para respirar, se atualizar. Talvez um dos maiores problemas do empático é se afogar (pois está preso) em sua própria empatia. Ignorar opções, perceber que é sempre possível emergir para imergir em outras situações. Ou seja, não consegue encontrar aquela luz na parte de cima. E, para isso, se apegar a luz de uma pessoa simpática (que normalmente são mais iluminados), o que se torna um refúgio. Um escape. De algum modo uma forma de se sentir mais presente. Menos coadjuvante.

Pessoalmente acredito que existem desvantagens para ambos. Mas não faço juízo de valor de bom ou ruim em ambos os perfis. A superficialidade não necessariamente é algo mau, pode ser apenas uma resposta a indiferença, medo, anseios. Assim como imergir demais pode fazer com que você não tenha forças para voltar ao topo e se afogue. Talvez algumas pessoas achem que o melhor é encontrar o meio termo. Não sei. Meio termo já possuímos na vida por limitar nossas escolhas. Em relação a isso, um meio termo em dados momentos poderia ser proveitoso, em outros, e principalmente se fosse feito de forma forjada, nos levaria a negação do que somos e a busca do que não somos. Não seriamos nada.